quarta-feira, outubro 24

A Semente da Vitória


Tenho que tirar o chapéu (não vou falar do menininho de novo não...) ! Sempre tive implicância com livros de auto-ajuda e, por conseqüência com obras cujos títulos parecem ser de auto-ajuda... Mas ultimamente tenho me surpreendido positivamente...

Neste ano, li “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, de Dale Carnegie, um livro da década de 30, mas super atual. Comprei-o contrariada, após a promessa de um professor de que o livro era realmente bom. E é! Mas não quero falar dele hoje...

Ontem, num impulso, entrei na livraria do trabalho e comprei “A Semente da Vitória”, do Nuno Cobra. Lembro de ter assistido à parte de uma palestra dele, no ano passado, em um desses eventos que freqüento, e de ter lido recentemente um artigo dele no Valor, mas nunca me aprofundei muito...

O fato é que comecei a ler o livro ontem à noite e já devorei mais da metade. Foi difícil parar para dormir e só o fiz porque ele mostra como são importantes as nossas horas de sono.

Nuno diz que quem não está doente não necessariamente tem saúde. Uma vida saudável é sinônimo de investimento em três importantes pilares (ordem decrescente de importância):

1- Sono
2- Alimentação
3- Exercícios

A partir desse pressuposto, de uma maneira didática, ele explica o porquê de alguns "conselhos" que lemos e ouvimos diversas vezes – “Durma cerca de oito horas por dia”, “Para emagrecer, é preciso comer em intervalos de, no máximo, três horas”, etc.

O livro chama a atenção para o fato de que “o cérebro é burro”. Por ser apenas um “processador de dados”, o que ele ouve de você é tomado como a mais pura verdade. Daí surge a força das palavras e do pensamento – se sai da cama dizendo que o dia vai ser ruim, o seu cérebro acredita e começa a liberar em seu organismo substâncias que são verdadeiros venenos, que vão te ajudar a ficar mal-humorado, cabisbaixo e, provavelmente, seu dia não será legal. O contrário também é verdadeiro. Parece auto-ajuda? A diferença é que Nuno Cobra ressalta que não adianta apenas ter pensamentos positivos. É PRECISO FAZER.

Sair da zona de conforto da rotina dá trabalho e requer disciplina e determinação. O preparador físico destaca também que movimentar o corpo e se exercitar é o mesmo que aprender a controlar suas emoções e a se sentir mais feliz – corpo e mente teriam conexão direta. Nuno aborda como é difícil adotar novos hábitos em nossas vidas, já que tendemos a nos auto-boicotar.

Ainda não terminei, mas o livro está sendo inspirador! Hoje, às 7h, antes do mundo despencar com esta chuva toda, lá estava eu: pedalando na academia com o “A Semente da Vitória” na minha frente (mas depois larguei o livro e fui correr, tá!?) !

terça-feira, outubro 23

Esta é engraçada...



Olha a cara de irritado do menininho inglês... A legenda é "eu só queria ser o Harry Potter". Na tentativa de se tornar o bruxinho da moda, Charlie, de três anos, não pensou duas vezes e colocou um cone de trânsito na cabeça. Só que não estava em seu script que o "chapéu" ficaria preso. A mãe do aprendiz de feiticeiro teve que chamar os bombeiros e foram precisos três homens para tirar o cone...

Acabei de ler esta matéria, que saiu no Daily Mail (e foi reproduzida pelo Globo Online), e um riso foi inevitável... Fez um contraponto com as notícias lidas anteriormente...

Simplesmente é difícil começar o dia de bom-humor neste país:

Hospitais empregam furadeiras em cirurgia” e “Leite adulterado com soda leva PF a prender 27”. Eis as manchetes do jornal O Globo desta terça-feira.

Por falta de equipamentos próprios, neurocirurgiões de quatro hospitais estaduais (do Rio) estão utilizando furadeiras de marcenaria para abrir cérebros e ainda reutilizam “brocas descartáveis”. Do outro lado da sala de Justiça, a Polícia Federal descobriu que cooperativas de Minas Gerais estavam adulterando leite longa vida com... soda cáustica e água oxigenada...

O que fazer num país como este?

segunda-feira, outubro 22

Búzios!!!!!!!


Finalmente peguei sol!!!!! Tirei o branco cor de Omo que estava em mim! E olha que a previsão era de chuva e mais chuva...

Fui para Búzios neste fim de semana, com o André e o pai dele (foi o encontro da turma de engenheiros que se formaram juntos há mais de 30 anos). Foi divertido! O povo era bem animado, teve feijoada...

A pousada que o André arranjou para ficarmos era... mais ou menos. “Surf Geribá”. Cheiro de mofo, lençóis encardidos e com umas manchas “estranhas” (nem quero pensar...) ... Também! Pagamos apenas R$ 40 (os dois juntos) pela diária... O que estávamos esperando???

Hummm.... Delícia foi o Degusta Búzios, festival de degustação que estava rolando na Rua das Pedras... Provei uma sardinha “semi-defumada”, com um pãozinho feito de missô e molho de tomate que estava tudo de bom!!!! O show de rock no shopping número 1 também estava muito bom!!!!

No domingo, acordamos e fomos direto para a praia, após um “fantástico” café da manhã na pousada (putz... sem comentários...). André surfou e eu curti o sol, feliz e contente com meu livro e meu jornal... Depois disso, houve uma pequena pausa no cenário feliz para um desentendimento... Mas, faz parte. Contornamos a situação.

Na volta de Búzios, parecia, como disse o André, que estávamos em um “BMW”. Voltamos assistindo a “Without a Trace” no notebook! Chique, não!? :)

quinta-feira, outubro 18

Lar, doce lar!




Ando tão caseira... É a conseqüência de se morar sozinha.. Pela primeira vez reconheço a existência de um “lar”.

Para mim, a palavra significa um porto seguro, um lugar cultivado por nós, um reduto para a reflexão, o descanso, a leitura concentrada, o filme... Um espaço onde posso cozinhar e fazer bagunça à vontade, mas um local que prezo tanto a ponto de querer mantê-lo arrumado... A MINHA casa. Nela, encontro paz e uma “tomada” na qual posso ligar o meu recarregador de energias...

Não posso esquecer dos meus dois filhos queridos que fazem miau...

Isso definitivamente não tem preço. Mesmo que eu não goste nem um pouco de ter que separar roupas por cor para lavá-las na máquina... (risos)

No meu lar, só entra quem eu quero, na hora que eu quero. Delícia de controle e de autoritarismo...

Já me peguei me perguntando se minha vida social não anda muito parada... Mas toda vez que me questiono sobre isso, me respondo também que sempre fui de sair muito porque não tinha justamente o meu porto seguro. A segurança era estar rodeada de pessoas. Agora, não preciso mais. Estou recuperando o tempo perdido!

quarta-feira, outubro 10

Só VOCÊ pode cuidar de você

Acordei meio assim, assim... Ainda por conta de segunda-feira.

Na verdade, diante de reações intensas, sejam nossas ou alheias, vale a tentativa de analisá-las – sempre há motivos concretos por trás...

Ouvi ontem que o problema é a expectativa, a minha expectativa.

Não sei com os outros, mas comigo a expectativa surge como continuação de bons momentos, de experiências gostosas que dão um gosto de “quero mais”. Caso contrário, seria masoquismo, não!?

Quando não tenho expectativa, é porque não dou muito valor e estou mais para “a gente vê, tanto faz.” É possível estar envolvido e NÃO criar expectativas? E aqui falo de expectativas em relação a questões corriqueiras, nada de especial ou grande.

Tendo a me “doar” muito e invisto quando acho que vale a pena. Mas às vezes as respostas e os discursos são tão racionais, salpicados com uma certa frieza, que me pergunto se ajo corretamente. Quando digo “corretamente” me refiro ao que é “bom” para mim.

Da mesma forma, percebo uma confusão de papéis. Talvez, por erro meu. É a tal da individualidade, constantemente citada, que não vem sendo notada. A MINHA. E, nesse caso, ponto negativo para mim.

Um dos meus defeitos é ter uma energia e uma disposição muito grande para entender os outros. Estou sempre tentando enxergar um contexto sob o ponto de vista do outro, tentando me colocar no lugar do outro. Enquanto isso, vou apelidando as minhas vontades e anseios de “caprichos”. Costumo dizer para mim mesma “você não está sendo razoável. Olha o que outro está passando.”

E o que acontece? Um belo dia estouro, quando vejo que o que quero está ficando para escanteio...

Minha psicóloga costumava dizer: “Ok. Você entende o outro. Mas... Quando é que os outros vão começar a entender você???”

terça-feira, outubro 9

Não gosto de reações extremadas, principalmente provenientes de minha pessoa. Dá ressaca, causa vergonha. Mesmo que eu entenda sua origem... Mas o que posso fazer? Reconhecer que sou humana e que, às vezes, simplesmente "sai"...

Já corri na academia hoje de manhã e vou voltar à noite para repetir a dose...

Não sorrio o tempo todo, não sou compreensiva o tempo inteiro, não digo "por favor" e "obrigada" sempre. Acordo descabelada, com o rosto "amarrotado" e posso ser insuportável...

Pronto! Falei!

sexta-feira, setembro 28

Conhece o meu lado sério?

Tenho uma novidade para os meus 2,34243566 leitores (estou sendo otimista):

Criei um blog para falar de coisas sérias! Lá não haverá espaço para eu abordar os meus conflitos internos e as minhas paranóias...

Vai lá marcar presença!? Ah! E deixa um comentário??? :)

O endereço é: visoeseinversoes.blogspot.com

Beijos!

quarta-feira, setembro 5

Desconexão

Reformulações, indagações a cerca de futuro próximo, especulações sobre qual é a parte que inclui o meu livre-arbítrio, como não danificar essa parte com meus pensamentos, de que forma fazer as coisas diferentes, com que jeito deixar alguns aspectos como estão, de que maneira aproveitar a parte boa de tudo e "engolir" ou aceitar ou take for granted a parte que não é tão agradável, como escurecer o lado mais fulgás que há em mim e qual caminho seguir para justamente não fazer isso pois o momento não pode ser desperdiçado, reflexões sobre o que quero mudar em mim e no mundo a minha volta, insistência em deixar a coisa rolar pois não tenho controle sobre este mundo enlouquecido em que me encontro, curtir esse meu lado impulsivo e compreender que há também em minha pessoa uma necessidade de contextualizar o que vivo e ter uma opinião a respeito, saber que minha auto-defesa está aí e ela é real e muitas vezes me salva de poucas e boas, perceber que não tenho mais 18 anos mesmo e que por isso estou muito melhor, mas que isso não significa saber para onde estou indo...
Enfim... Aceitar quem eu sou: uma menina moleca de 28 anos que se entrega às coisas boas que surgem, mas sem esquecer que tem um mecanismo protetor acionável a qualquer instante, altamente desenvolvido pós ultra-super reconhecimento de terreno interno consolidado e aprofundado no ano passado, por intermédio de um processo doloroso, mas construtivo.
Depois de seis anos e meio de análise, cá estou eu de férias! Deu para perceber que estou sem um coach????

quinta-feira, julho 12

Preciso de FOCO...

Fui acusada de não deixar o meu pensamento fluir nos meus textos do blog. “Seus textos são muito...jornalísticos.” Ok. Confesso que sou muito evasiva aqui, que não dou nome aos bois, que não sou direta na minha escrita (e, cá para nós, um texto jornalístico tem como objetivo ser tudo menos evasivo). Mas não é por acaso! Quem convive comigo consegue perfeitamente ler nas “entrelinhas” e, quando não consegue, me pergunta. Já aqueles que não tem tanto contato acabam ficando com uma leve curiosidade... E isso é bom! Sinal de que as chances são grandes de retorno ao blog...

Mudando de assunto...Minha vida tem sido repleta de fatos novos, rodeados por manias antigas. Os dias têm passado muito rapidamente e eu me sinto um pouco “perdida”, até atropelada pelo tempo. É como se a minha velocidade para tomar decisões, efetuar mudanças e refletir estivesse muito, mas muito aquém do ritmo do universo. Se no passado a minha angústia era proveniente da necessidade vital de se fazer planos constantemente, agora me pego querendo pelo menos estabelecer alguma meta a médio prazo. E é aí que me pego meio “sem rumo”.

Estou precisando de um objetivo PROFISSIONAL. Hoje acordei me achando uma peça de lego no jogo errado. Os dias são exatamente iguais aos outros. E não falo a mesma língua que muita gente ao meu redor.

Ao mesmo tempo, queria adotar um pouco o “estilo baiano de ser” e não pensar em nada. Estirar-me num sofá (nem precisa ser rede), brincar com os meus gatos e contemplar a vida desprovida de qualquer pressa...

Ok. Estou sendo um pouco exigente comigo mesma. Afinal, minha vida mudou muito nos últimos três meses. Mas o que posso fazer se sou um ser essencialmente inquieto?

São tantos os livros ainda não lidos, os filmes ainda não vistos... E a sensação é a mesma em relação à minha carreira: tantas coisas que ainda não fiz... Só que falta definir o que eu QUERO fazer para depois traçar um plano de ação. Vejo possibilidades, mas são todas muito remotas, já que eu não consigo encontrar um FOCO. Estou que nem o Ricardo Semler: perguntando “Por quê?” umas cinco vezes a cada dez minutos...

sexta-feira, junho 8

Diga a verdade e saia correndo!

Essa é uma frase que está num imã de geladeira que comprei aqui para casa. A identificação foi instantânea. É difícil me abrir, falar o que penso, ou sinto, às vezes. É difícil também ser ouvinte. Mas o mais difícil ainda é saber o momento que pede uma "confissão" e o momento de deixar o silêncio falar por si. As palavras ecoam e são eternas. Por isso, é importante ter cuidado com o que se diz. Pode-se dizer o oposto logo depois, ou mesmo demonstrar o inverso... Mas o que fazer com o que já se ouviu?

Ou o que se faz é sempre mais importante e anula o que se diz? Sou contra expressar sempre em palavras tudo que se pensa ou que se sente. Temos pensamentos e sentimentos efêmeros, momentâneos que podem virar poeira um instante depois. E se os mesmos, ao serem traduzidos em linguagem falada, têm o poder de incomodar, entristecer ou machucar o receptor, por que expressá-los? Se for importante e essencial para o emissor, então ele deve ir em frente. Mas com a consciência dos possíveis efeitos sobre o outro.

Já tentei provocar com perguntas e indagações uma mudança, na verdade, um resgate de algo que estava ficando para trás. Tentava me agarrar nas palavras, para ver se elas tinham a capacidade de mudar a realidade que eu estava presenciando. E o que eu recebia como resposta era só a confirmação de imutabilidade. Agora, depois de alguns anos, ao lembrar desse momento, vejo que fui boba. Se eu recebesse palavras doces contrárias ao que, de fato, estava acontecendo, teria eu me sentido melhor? Nesse sentido, o que se fala pode ser irrelevante. Ponto para o silêncio.

É por isso que tenho dificuldade em “dizer coisas”. Parece que, ao fazê-lo, estou “oficializando” reflexões e emoções que posso não ter cinco minutos depois. Digo isso, porque presto atenção e valorizo o que me falam. O pior é que, normalmente, o que me marca é o que não gostei de ouvir.

Mas aí me ocorre outra questão importante: E o filtro que usamos sempre ao adotarmos a postura de receptores de uma mensagem? É que nem reportagem isenta: não existe a prática de ouvir sem a nossa participação na compreensão dessa mensagem. Nunca escutou a frase “fulano só ouve o que quer?” Será que é só o fulano mesmo, ou todos nós, querendo ou não, interpretamos absolutamente tudo que chega a nossos ouvidos?

Ok. Não dá para viver num filme de Charles Chaplin. Palavras são necessárias, contornam e ressaltam nossas ações, sentimentos, etc, etc, etc. Mas então é preciso ter coerência, não!? Só que muitas vezes afirmamos uma coisa querendo dizer outra... por educação, por não querermos machucar o outro, por proteção individual e tantos outros motivos. Não é difícil???

Um imã de geladeira me deixou filosófica...


segunda-feira, maio 21

Vida Nova


Estou prestes a completar meu primeiro mês morando definitivamente sozinha, ainda nem aprendi direito a lavar minha própria roupa e... arranjei um FILHO! Um persa cinza de olhos verdes/cinzas lindo! O nome dele é Clicquot, de Veuve Clicquot, mas nem sei se continuará sendo... Não estou gostando muito dessa alcunha não...

Na última semana, fiquei cuidando de dois gatos, um pequeno que mia e um grande que fala. Os dois estavam passando mal, com o mesmo problema. Fui enfermeira dupla e deu tudo certo!

Apesar das mudanças e novidades, venho me dedicando a pensar em um monte de coisas e a não refletir também sobre nada. Entendeu o que eu disse? Venho trabalhando a “não-ansiedade” e a “não-imaginação”. É a forma que arranjei de não ceder à tentação do radicalismo. Minha meta a curto e a médio prazo é o “caminho do meio” (leia “A Alma Imortal”, de Nilton Bonder, para entender o que estou falando).

Por outro lado, nunca tive tanta vontade de ser sincera e de assumir o que estou sentindo, quais são minhas emoções e quem sou eu (mesmo que eu não saiba exatamente o que isso quer dizer). Simplesmente não estou sentindo vergonha alguma de falar. Mesmo que contrarie o ouvinte. Dane-se. Prazer! Eu sou assim! Vai continuar gostando de mim?
(...)

Bom filme o “Lady Vingança”, do diretor Park Chan-Wook, o mesmo de “Old Boy”. Mas é muito pesado!!!!!!!!! Quem não gosta de cenas fortes, não deve assistir. Ah! E um conselho: não assista num domingo à noite, como eu fiz. Passei a noite inteira sonhando que estava assassinando uma coreana.

quarta-feira, maio 9

Por partes:

Morar sozinha, grande conquista!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Para variar: constação de caminho errado tomado, ou, ok, como ouvi esta semana de uma especialista: rumo certo no momento certo, porém perene. É preciso desviar novamente para se alcançar um objetivo satisfatório...

terça-feira, abril 24

O QUE SE DIZ x O QUE SE FAZ

A diferença entre o que se diz e o que se faz pode ser grande, BEM grande. Ou não (maldito Caetano) ... Quando se fala muito, o que é apenas suposição ou imaginação ou ainda fantasia pode virar realidade. De um jeito ou de outro... Venho pensando nessa questão nos últimos dias...

DESDE QUANDO SINCERIDADE TOTAL É SINÔNIMO DE MATURIDADE? Acho que tem muito masoquista por aí confundindo as coisas...

Vou voltar a falar sobre isso. Agora minha concentração está toda voltada para a minha nova vida cuja estréia se dará quinta à noite!!!!

Contagem regressiva!!!!!!!!!!!!!!


sexta-feira, abril 13

Anão anda de ônibus???

- Senhorita, dá licença. Deixa eu lhe fazer uma pergunta, me abordou um senhor ainda na roleta.
- Você já viu algum anão no ônibus?
- Hummm... Não...
- Pois é. Estou desenvolvendo uma teoria: todo anão anda a pé.

Esse episódio aconteceu comigo outro dia. Mas a melhor é a história que ouvi:

A mãe de um colega de trabalho estava em um ônibus, quando entrou um baixinho, que não encontrou lugar para sentar.

- Ei, menino! Senta aqui no meu colo!

Quando o sujeito já se preparava para acatar o convite, um outro "baixinho" entrou.

- Senhora! Não deixa não! Ele não é criança! É anão!

O já desmascarado adulto acabou levando um tapa...

Tá vendo? Mas eu realmente nunca vi um anão em ônibus!

domingo, abril 8

A tristeza permitida

Este é um texto de Martha Medeiros, de 20/11/2005:

Se eu disser para você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair para compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai me dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela sempre que fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou com si mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

(..) Pega mal sofrer. Pois é, pega. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o eu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar uns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos para samba, para rock, para hip hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

quinta-feira, abril 5

"Falas de civilização, e de não dever ser, ou de não dever ser assim. Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos, com as coisas humanas postas desta maneira. Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos. Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor. Escuto sem te ouvir. Para que te quereria eu ouvir? Ouvindo-te nada ficaria sabendo. Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.

Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres. Ai de ti e de todos que levam a vida a querer inventar a máquina de fazer felicidade!"

(Fernando Pessoa)
O que você faria se achasse alguém que ainda não se encontrou? O que você faria se perdesse quem te encontrou?

Ter só uma lembrança de que alguém um certo dia te marcou Ser só uma lembrança de alguém que te marcou.

O que você faria se achasse alguém que fantasmas não libertou? O que você faria se perdesse quem te libertou?

(Clarice Lispector)

***********************************
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.Dorme inconsciente de alheios corações,
Coração de ninguém.

(Fernando Pessoa)

***********************************
Tudo o que vemos é outra coisa.
A maré vasta, a maré ansiosa,
É o eco de outra maré que está
Onde é real o mundo que há.
Tudo o que temos é esquecimento.
A noite fria, o passar do vento,
São sombras de mãos, cujos gestos são
A ilusão madre desta ilusão.

(...)

Tudo é permanentemente estranho, mesmamente
Descomunal, no pensamento fundo;
Tudo é mistério, tudo é transcendente
Na sua complexidade enorme:
Um raciocínio visionado e exterior,
Uma ordeira misteriosidade
Silêncio interior cheio de som.

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, março 28

Se lessem meus pensamentos...

Acordei ácida, ácida hoje... Ou melhor, má mesmo...
Eram umas 8h40 quando entrei no ônibus, no ponto final que fica exatamente em frente ao meu prédio. Já saí de casa reclamando do calor e fui mentalmente condenando-o no caminho até o veículo (é, eu sofro de menopausa precoce. Quando todos estão achando o clima "fresquinho", eu estou me abanando e, quando o mundo diz que está quente, é sinal de que já estou quase sumindo de tanto derreter).
Não estava com a mínima vontade de conversar, apenas de ler o jornal. Assim que abri o Segundo Caderno, do O Globo, ouvi: "É O Globo, é? Sabe que não consigo ler O Globo?" Como só estávamos no ônibus, ainda parado, eu e a cobradora, a pergunta com certeza era dirigida à minha pessoa. Na mesma hora, me veio um comentário na ponta da língua "E você lê?" Horrível, não!? Eu sei. Por isso, só pensei e me limitei a dar aquele sorriso que a gente abre apenas com um tímido movimento dos lábios.
Quando estávamos no meio da Nossa Senhora de Copacabana, parados na faixa do meio da avenida, no sinal, surge uma senhora, do nada, batendo na porta para o motorista abrir. Ao entrar, ela recebeu do condutor uma bronca, de forma educada, por estar no meio da rua. Corretíssimo. Ponto para ele. Mas parece que a tal senhora passou pela roleta pedindo à já minha amiga cobradora que esperasse pelo troco, que ela ia sentar para pegar na bolsa...
Sabe o que a cobradora respondeu? "A senhora está atrapalhando a minha vida, não posso ficar sem troco. A senhora já começou bem o dia hoje, hein?" Cheia de atitude... Contei até dez e me lamentei por não ter feito aquela pergunta sobre os hábitos de leitura da minha digníssima "amiga"...
Durante o dia, continuei tendo pensamentos maus, daqueles que a gente não divide com ninguém, ou com quase ninguém... Acho que comprei uns dois ingressos para o inferno hoje com esse meu sarcasmo que às vezes se descontrola. Mas não fui a única. Uma outra pessoa comprou uns cinco ao verbalizar um pensamento desses... Tenho que admitir: me diverti ao saber do episódio!
Ah! E é como uma amiga sempre diz: o que é que vou fazer no céu, se todos os meus amigos estarão no inferno????